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 O futebol e a velhice
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A alegria de ver o clube de coração ganhar um título nos dá a sensação de que o tempo é mero detalhe. Ele não passa - e não incomoda. A quem se põe a comemorar, não interessa se haverá um amanhã. A(s) cerveja(s) desce ainda mais gelada se a honraria é sofrida, e se o grito de campeão permaneceu preso na garganta até os últimos minutos. Necessário ressaltar que qualquer bola vadia seria o suficiente para me fazer chorar de raiva, tristeza e frustração. Chorar mesmo -- porque homem chora, e muito. Porém, o último apito veio a coroar os mais de 3.500 minutos de sofrimento contínuo. "Afinal, ser torcedor é sofrer por vocação (e se não há sofrimento, não há glória)".

A frase acima foi dita com a voz rouca de quem já comemorou, chorou, xingou e se emocionou com muitas coisas na vida. Já passavam das cinco da manhã e lá estava o velho boêmio cantando músicas de Orlando Silva, Chico Alves, Cartola, entre outros. Bebendo uma ali, outra acolá, e flutuando pelas quatro linhas do bar com notável maestria. A patroa, ele garantiu, ficara em casa cuidando da horta. Assustou-se porque eu -- com os meus 24 anos que não querem dizer absolutamente nada -- acompanhava as músicas.

"Você sabe tudo de Nelson Gonçalves", disse ele, espantado. "Gostaria muito de ter vivido a sua época", respondi, tímido perto de tanta vivência.

Alguns amigos sempre perguntam porque uma das coisas que eu mais gosto na vida é conversar com idosos. Já fui obrigado a ouvir: "Porra, vamos curtir, vai ficar o tempo todo aí conversando com o coroa?". Sou capaz de ficar horas batendo papo com o velhote que já se tornou o campeão de sueca do Santo Cristo, mas não tolero seis minutos de bobagens proferidas por um desses borra-botas da atual geração. Gente sem inspiração e que não vai ter o mínimo de história para contar daqui a vinte ou trinta anos. Gente que acha que a vida termina no shopping. Gente que não sabe o quão legal é ouvir um samba tocado em uma caixinha de fósforos em qualquer um dos maravilhosos bares de Oswaldo Cruz.

Enquanto alguns desfilam por aí cheios de si, por vezes sem qualquer vivência que justifique tamanha pretensão, o velho boêmio da noite perdida me contou detalhes de sua trajetória -- que poderia ser comparada a um time que levou dois gols ainda no primeiro tempo, porém reagiu de forma avassaladora na etapa complementar e virou o placar às vésperas do último apito. Conheceu dona Edith ainda na infância, mas só se casou em 1967. Antes disso, cantou boleros no Copacabana Palace, fez duetos com artistas internacionais em Barcelona e Guadalajara, gravou dois LPs cujos nomes não lembra e hoje vive com uma pequena aposentadoria.

No entanto, assim como o tempo é um detalhe para quem ainda respira a alegria do título recente, a vida de luxo foi para ele um ligeiro sopro de entusiasmo. O mais importante, segundo o próprio, foi construir um legado, uma trajetória, que pode não ser necessariamente um exemplo de vida, mas faz com que o velho boêmio acorde todos os dias com o sorriso de quem acabara de ganhar mais um título.

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Bookmark and Share   postado por Hanrrikson de Andrade @ 7.12.11   0 comentários

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